No primeiro de cinco dias, família, amizade e acolhimento dão sentido aos passos
Eu ainda não havia dado o primeiro passo rumo a Aparecida quando a caminhada começou a me dar motivos para agradecer. Na madrugada de hoje, 7 de outubro, Clarinha, Bia e Felipe foram até nossa saída para desejar ao pai, meu amigo Marcio, uma boa caminhada. Antes da estrada, vieram os filhos. Antes dos quilômetros, aquele gesto. Emocionante.
Às 5h20, parti com Marcio e Reinaldo da Dutra, próximo ao Shopping Internacional de Guarulhos, bem próximo da Fernão Dias. Começávamos o primeiro de cinco dias a pé até Aparecida, movidos pela fé e pela oportunidade de agradecer. Minha quarta caminhada, a terceira com Marcio e a primeira de Reinaldo. Três pessoas, cada uma levando suas razões.
Ao longo de aproximadamente 12 horas, percorremos cerca de 42 quilômetros até o trevo de Santa Isabel. Não houve chuva. Enquanto os pés avançavam, eu encontrava espaço para pensamentos que a rotina costuma interromper. Caminhar me permite conversar com a Mãe Aparecida sem pressa, agradecer pela vida e lembrar de quem faz parte dela.
Aquela despedida com os filhos de Marcio continuou comigo. Quem chega para desejar uma boa caminhada também participa dela, mesmo ficando. Clarinha, Bia e Felipe ainda aparecerão nestes relatos. Há mais sobre esse trio para contar, mas deixo essa conversa para os próximos dias. Nossa história até Aparecida está apenas começando.
Quem fica também caminha conosco
Também tivemos companhia pela televisão. Enviei ao Bom Dia São Paulo, da TV Globo, uma mensagem sobre nossa caminhada. Quando aparecemos no jornal, amigos e familiares começaram a escrever e telefonar. O print que ilustra esta publicação registra esse momento. Pensei nas orações que já recebíamos e em quantas poderiam estar se somando. No link https://globoplay.globo.com/v/15035121/?s=0s, na altura do tempo 45:40, é possível ver nossa participação.
Na estrada, a ajuda chegava também pelas mãos de quem oferecia café da manhã, frutas, água, sucos, doces e almoço. Tudo sem cobrança. Cada ponto de apoio nos dava condições de continuar. Receber um copo de água depois de caminhar faz a gente perceber o significado de alguém estar ali, cuidando de quem passa.
Os amigos também ajudam e muito. Pita leva nossas malas, retirando das nossas costas um peso que nos acompanharia durante todo o percurso. Em Santa Isabel, Anezio abre sua casa e nos recebe com jantar. Lembro também do Biro, que me trouxe para essa caminhada. Questões de logística o impediram de estar conosco neste ano. Minha gratidão a ele segue comigo.
Cuidar da vida faz parte da caminhada
Não caminhamos sozinhos nessa tradição. Segundo a RioSP, cerca de 40 mil romeiros passaram pela Dutra em 2025, e a expectativa é superar esse número em 2026. A fé, porém, pede cuidado: hidratação, proteção contra o sol, refletores, descanso e respeito à sinalização. A orientação é evitar a noite e a chuva.
Ainda há caminho e motivos para agradecer
Para mim, essa experiência ultrapassa a religião. Reconheço a fé de quem caminha e a bondade de quem ajuda, sem precisar saber em que cada pessoa acredita. Converso com a Mãe Aparecida e agradeço pelo bem que recebo. Hoje, parte desse agradecimento tem nomes, rostos e gestos que encontrei desde a saída.
Termino o primeiro dia com 42 quilômetros percorridos e pessoas a quem agradecer. Restam quatro dias até Aparecida. Continuarei dividindo aqui a estrada, os encontros e aquilo que cada passo me fizer sentir.




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